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Como fazer orçamento de obra, passo a passo

Para fazer orçamento de obra: divida a obra em etapas, levante as quantidades de cada serviço, dê um preço unitário a cada um (material, mão de obra e equipamento), some os custos indiretos e aplique o BDI e os impostos. O resultado é o preço de venda, que vai para a proposta.

9 min de leitura · atualizado em · Equipe Obrômetro

O que é um orçamento de obra

Orçamento de obra é a conta que diz quanto a obra vai custar para a construtora e por quanto ela vai ser vendida ao cliente. Ele tem duas partes que não podem ser confundidas:

  • Custo: o que a empresa paga. Material, mão de obra (própria ou de empreiteiro), equipamentos e as despesas da obra.
  • Preço: o que a empresa cobra. É o custo mais as despesas indiretas da empresa, os impostos e o lucro.

Existe também a estimativa, um número rápido feito antes do projeto estar fechado, normalmente pelo custo por m². Ela ajuda a saber se o cliente cabe no bolso da obra, mas não substitui o orçamento detalhado. Para a estimativa, use a calculadora de custo por m².

Antes de começar

Orçamento bom começa antes da planilha. Reúna:

  • projeto ou croqui com medidas (planta, cortes, fachada, quando houver);
  • memorial descritivo ou, pelo menos, a lista de acabamentos (piso, revestimento, louças, esquadrias);
  • fotos e anotações da visita ao local: acesso, terreno, vizinhos, onde fica a caçamba, onde descarrega material;
  • o que está incluso e o que não está: quem compra material, quem paga projeto e taxas, se tem limpeza final.

Dica de quem orça todo dia

Escreva o escopo antes de dar preço. Metade das brigas com cliente vem de um item que um achava que estava incluso e o outro, não.

Passo a passo do orçamento de obra

  1. Divida a obra em etapas. Serviços preliminares, fundação, estrutura, alvenaria, cobertura, instalações elétricas e hidráulicas, revestimentos, pisos, esquadrias, pintura e limpeza. Assim nada fica de fora e a proposta sai organizada.
  2. Levante as quantidades. Para cada serviço, a quantidade na unidade certa: m² de parede, m³ de concreto, metro de tubo, unidade de ponto elétrico. Registre o critério (por exemplo, se desconta ou não os vãos de porta e janela) para conseguir conferir depois.
  3. Dê o preço unitário de cada serviço. O preço unitário junta material, mão de obra e equipamento de uma unidade do serviço. Pode vir da sua tabela (o que você cobra e o que paga ao empreiteiro) ou de uma composição de custo.
  4. Decida como paga a mão de obra. Por hora, com os encargos sociais, ou por empreitada (R$/m², R$/ponto, R$ por serviço fechado). Obra pequena costuma pagar por empreitada; obra pública calcula por hora.
  5. Some os custos indiretos da obra. Canteiro, água e luz provisórias, caçamba, andaime, ART, taxas da concessionária, transporte e deslocamento. São os itens mais esquecidos.
  6. Aplique o BDI e os impostos. O BDI cobre a administração da empresa, os riscos, o custo financeiro, os impostos e o lucro. Veja como calcular o BDI.
  7. Confira o total. Divida o preço pela área e compare com o custo por m² de obras parecidas e com o CUB. Se ficou muito fora, procure o erro antes de mandar para o cliente.
  8. Monte a proposta. Preço, etapas, o que está incluso e o que não está, prazo, forma de pagamento e validade.

A planilha de orçamento de obra

A planilha de orçamento de obra organiza tudo isso em linhas. Cada linha é um serviço, e as colunas mínimas são estas (valores ilustrativos):

ItemServiçoUn.Qtd.Preço unit.Total
3.1Alvenaria de bloco cerâmicom²310,00R$ 98,50R$ 30.535,00
6.2Reboco de paredem²620,00R$ 38,40R$ 23.808,00

Abaixo das linhas vêm os subtotais por etapa, o BDI e o total. Duas regras evitam dor de cabeça: arredonde o total de cada linha (e não só o total geral), para a soma bater com o que o cliente vê; e guarde a data de cada preço, porque preço de obra envelhece.

A planilha funciona, mas tem limites conhecidos: vive no computador de uma pessoa, quebra quando alguém apaga uma fórmula e não avisa quando o preço ficou velho. É isso que um sistema de orçamento resolve.

Tabelas de referência: SINAPI e outras

Quando você não tem o preço de um serviço, pode recorrer a tabelas públicas de referência. A mais conhecida é o SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), mantido pela Caixa com o IBGE. Ele publica todo mês, para cada estado, preços de insumos e composições de serviços, em versão com e sem desoneração da folha.

  • Em obras com recursos federais, o SINAPI é a referência obrigatória de custo (Decreto 7.983/2013).
  • Obras de rodovias e transportes usam o SICRO, do DNIT. Vários estados e prefeituras mantêm tabelas próprias.
  • Há também livros de composições, como o TCPO, usados por orçamentistas há décadas para consultar coeficientes de consumo e produtividade.

Essas tabelas são ótimas para conferir, mas têm limites: trazem preços médios ou medianos da região, que podem estar longe do que o seu fornecedor cobra, e a produtividade de obra grande nem sempre vale para obra pequena. Em obra particular, o preço que manda é o seu.

Erros que mais custam caro

  • Esquecer itens: caçamba, proteção, água e luz do canteiro, ART, andaime, transporte, limpeza final.
  • Misturar custo e preço na mesma coluna. Aí ninguém sabe qual é a margem de verdade.
  • Usar preço velho. Orçamento feito com preço de seis meses atrás já nasce com prejuízo.
  • Aplicar o BDI duas vezes, sobre preços que já têm margem embutida.
  • Chutar os impostos. O regime da empresa muda a conta; confirme com o contador.
  • Proposta sem o que não está incluso e sem validade. Preço de obra não vale para sempre.

Da planilha à proposta

O cliente não precisa ver a planilha inteira, e muito menos o seu custo. A proposta boa mostra o preço por etapa (ou por m², ou fechado), o escopo, o que está incluso e o que não está, prazo, condições de pagamento e validade. Se fizer sentido, dê opções: com e sem material, acabamento padrão ou superior.

Guarde a versão enviada. Se o cliente pedir mudança, faça uma nova revisão em vez de editar a antiga: assim fica claro o que foi combinado em cada momento.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre estimativa e orçamento de obra?

A estimativa dá um primeiro número rápido, geralmente pelo custo por m² (como o CUB), e serve para conversar e planejar. O orçamento detalhado lista cada serviço com quantidade e preço unitário, e é o que sustenta o preço que você vai cobrar.

O que é composição de custo unitário?

É a receita de um serviço: quanto de cada material, de mão de obra e de equipamento entra em uma unidade dele (um m² de reboco, um m³ de concreto). Multiplicando cada item pelo seu preço, chega-se ao custo unitário do serviço.

Posso usar a tabela SINAPI em obra particular?

Pode, como referência. Ela só é obrigatória em obras com recursos federais. Em obra particular, o que vale é o preço que você realmente paga ao seu fornecedor e ao seu empreiteiro; a tabela ajuda a conferir e a preencher o que falta.

Onde entra o lucro no orçamento de obra?

O lucro entra no BDI (ou na margem que a empresa aplica sobre o custo), junto com as despesas indiretas e os impostos. Ele não deve ser escondido nas quantidades nem nos preços unitários, para a conta continuar conferível.

Faça isso no Obrômetro, sem planilha

Cada linha com a origem e a data do preço, a sua tabela em primeiro lugar e a proposta pronta para o cliente.

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