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Tabela SINAPI: o que é, como consultar e como usar no orçamento

A tabela SINAPI é a referência pública de custos da construção civil no Brasil, mantida pela CAIXA com o IBGE. Todo mês ela publica, para cada estado, o preço dos insumos e o custo das composições de serviços. É obrigatória em obra com dinheiro federal e muito útil, como referência, em obra particular.

8 min de leitura · atualizado em · Equipe Obrômetro

O que é o SINAPI

SINAPI quer dizer Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. A CAIXA cuida da parte de engenharia (as composições de serviço, com os consumos e as produtividades) e o IBGE faz a pesquisa de preços dos insumos nas capitais. O resultado é publicado todo mês, separado por estado.

Em obras e serviços de engenharia pagos com recursos da União, o SINAPI é a referência de custo exigida pelo Decreto 7.983/2013. Obras rodoviárias e de transporte usam o SICRO, do DNIT. Muitos estados e prefeituras também adotam o SINAPI nas licitações.

O que a tabela traz

  • Insumos: materiais, equipamentos e mão de obra, com o preço mediano pesquisado em cada estado (um saco de cimento, um metro de cabo, a hora do pedreiro).
  • Composições: serviços prontos para orçar, como alvenaria, reboco, contrapiso, pintura, pontos elétricos e hidráulicos. Cada composição diz quanto de cada insumo entra em uma unidade do serviço.
  • Encargos sociais: o percentual que se soma ao salário do trabalhador (horista ou mensalista) em cada estado.

Como ler uma composição

Toda composição tem um código numérico, uma descrição longa e uma unidade. Dentro dela, cada linha é um insumo com o seu coeficiente:

87xxx · CONTRAPISO EM ARGAMASSA ... AF_07/2026 · M2
  • Coeficiente é quanto daquele insumo vai em uma unidade do serviço: por exemplo, 0,5 hora de pedreiro por m².
  • Custo unitário é a soma de cada coeficiente multiplicado pelo preço do insumo naquele estado e mês.
  • AF_mm/aaaa, no fim da descrição, indica quando a composição foi aferida (revisada). Composição mais nova costuma refletir melhor o jeito atual de executar.

Leia a descrição inteira

Duas composições quase iguais podem mudar o preço: com ou sem impermeabilização, sobre laje ou sobre terreno, manual ou com máquina, com ou sem reaproveitamento. Escolha a que descreve a sua obra, não a primeira da lista.

Desonerado ou não desonerado

A tabela sai em duas versões. A diferença está nos encargos sociais da mão de obra: a versão desonerada considera a empresa que paga a contribuição previdenciária sobre a receita (desoneração da folha), e a não desonerada, a que paga sobre a folha de salários. Use a versão que corresponde ao regime da sua empresa; na dúvida, pergunte ao seu contador.

Onde consultar

Os relatórios mensais e as planilhas completas ficam no site da CAIXA, na área do SINAPI, organizados por estado e mês. As planilhas são grandes: milhares de composições e insumos por estado. Para orçar, o mais prático é usar um sistema que já traga a tabela importada e deixe buscar pelo nome do serviço.

SINAPI em obra particular

Em obra particular, ninguém é obrigado a usar o SINAPI. Ele é ótimo para três coisas: conferir se o seu preço está muito fora, completar o orçamento quando você não tem preço de algum serviço e explicar ao cliente de onde veio um valor. O preço que manda, porém, é o que você paga ao seu fornecedor e ao seu empreiteiro.

Lembre que a tabela não inclui o lucro nem as despesas da empresa. Para chegar ao preço de venda, some o BDI. Veja como calcular o BDI e o passo a passo do orçamento de obra.

Armadilhas comuns

  • Mês velho. Preço de seis meses atrás vira prejuízo em material que sobe rápido, como cobre e aço.
  • Estado errado. O mesmo serviço custa diferente em cada estado. Use o da obra.
  • Produtividade de obra grande em obra pequena. As composições supõem uma escala que reforma pequena raramente tem. Ajuste a mão de obra quando for o caso.
  • Esquecer o BDI. Mandar o custo da tabela como preço de venda é trabalhar de graça.
  • Copiar e colar sem conferir. Planilha com fórmula quebrada ou linha duplicada não avisa. Confira o total pela soma das etapas.

Como o Obrômetro usa o SINAPI da CAIXA

No Obrômetro, a referência de custo é o SINAPI da CAIXA, do estado da obra (começando por São Paulo), no mês publicado mais recente, na versão com ou sem desoneração que a empresa escolher. A ordem é sempre a mesma: primeiro o preço da tabela da sua empresa; só onde você ainda não tem preço entra a referência, avisada na própria linha. A proposta que vai para o cliente mostra só o seu preço final.

Perguntas frequentes

O SINAPI é obrigatório?

Em obras e serviços de engenharia pagos com recursos da União, sim: o Decreto 7.983/2013 manda usar o SINAPI como referência de custo (e o SICRO em obras de transporte). Em obra particular, não é obrigatório; serve como referência para conferir e completar o seu orçamento.

O preço do SINAPI já inclui BDI?

Não. A tabela traz o custo direto (material, mão de obra com encargos e equipamento). Administração, riscos, impostos e lucro entram depois, no BDI ou na margem da empresa.

Qual a diferença entre insumo e composição?

Insumo é o que se compra ou se paga por hora: um saco de cimento, uma hora de pedreiro. Composição é a receita de um serviço: quanto de cada insumo vai em uma unidade dele, como um m² de reboco.

Com que frequência a tabela muda?

Todo mês sai uma nova referência de preços para cada estado. As composições também são revisadas de tempos em tempos; a sigla AF com mês e ano, no fim da descrição, indica a versão da composição.

Faça isso no Obrômetro, sem planilha

Cada linha com a origem do preço, a sua tabela em primeiro lugar e a proposta pronta para o cliente.

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