O que é o SINAPI
SINAPI quer dizer Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. A CAIXA cuida da parte de engenharia (as composições de serviço, com os consumos e as produtividades) e o IBGE faz a pesquisa de preços dos insumos nas capitais. O resultado é publicado todo mês, separado por estado.
Em obras e serviços de engenharia pagos com recursos da União, o SINAPI é a referência de custo exigida pelo Decreto 7.983/2013. Obras rodoviárias e de transporte usam o SICRO, do DNIT. Muitos estados e prefeituras também adotam o SINAPI nas licitações.
O que a tabela traz
- Insumos: materiais, equipamentos e mão de obra, com o preço mediano pesquisado em cada estado (um saco de cimento, um metro de cabo, a hora do pedreiro).
- Composições: serviços prontos para orçar, como alvenaria, reboco, contrapiso, pintura, pontos elétricos e hidráulicos. Cada composição diz quanto de cada insumo entra em uma unidade do serviço.
- Encargos sociais: o percentual que se soma ao salário do trabalhador (horista ou mensalista) em cada estado.
Como ler uma composição
Toda composição tem um código numérico, uma descrição longa e uma unidade. Dentro dela, cada linha é um insumo com o seu coeficiente:
- Coeficiente é quanto daquele insumo vai em uma unidade do serviço: por exemplo, 0,5 hora de pedreiro por m².
- Custo unitário é a soma de cada coeficiente multiplicado pelo preço do insumo naquele estado e mês.
- AF_mm/aaaa, no fim da descrição, indica quando a composição foi aferida (revisada). Composição mais nova costuma refletir melhor o jeito atual de executar.
Leia a descrição inteira
Desonerado ou não desonerado
A tabela sai em duas versões. A diferença está nos encargos sociais da mão de obra: a versão desonerada considera a empresa que paga a contribuição previdenciária sobre a receita (desoneração da folha), e a não desonerada, a que paga sobre a folha de salários. Use a versão que corresponde ao regime da sua empresa; na dúvida, pergunte ao seu contador.
Onde consultar
Os relatórios mensais e as planilhas completas ficam no site da CAIXA, na área do SINAPI, organizados por estado e mês. As planilhas são grandes: milhares de composições e insumos por estado. Para orçar, o mais prático é usar um sistema que já traga a tabela importada e deixe buscar pelo nome do serviço.
SINAPI em obra particular
Em obra particular, ninguém é obrigado a usar o SINAPI. Ele é ótimo para três coisas: conferir se o seu preço está muito fora, completar o orçamento quando você não tem preço de algum serviço e explicar ao cliente de onde veio um valor. O preço que manda, porém, é o que você paga ao seu fornecedor e ao seu empreiteiro.
Lembre que a tabela não inclui o lucro nem as despesas da empresa. Para chegar ao preço de venda, some o BDI. Veja como calcular o BDI e o passo a passo do orçamento de obra.
Armadilhas comuns
- Mês velho. Preço de seis meses atrás vira prejuízo em material que sobe rápido, como cobre e aço.
- Estado errado. O mesmo serviço custa diferente em cada estado. Use o da obra.
- Produtividade de obra grande em obra pequena. As composições supõem uma escala que reforma pequena raramente tem. Ajuste a mão de obra quando for o caso.
- Esquecer o BDI. Mandar o custo da tabela como preço de venda é trabalhar de graça.
- Copiar e colar sem conferir. Planilha com fórmula quebrada ou linha duplicada não avisa. Confira o total pela soma das etapas.
Como o Obrômetro usa o SINAPI da CAIXA
No Obrômetro, a referência de custo é o SINAPI da CAIXA, do estado da obra (começando por São Paulo), no mês publicado mais recente, na versão com ou sem desoneração que a empresa escolher. A ordem é sempre a mesma: primeiro o preço da tabela da sua empresa; só onde você ainda não tem preço entra a referência, avisada na própria linha. A proposta que vai para o cliente mostra só o seu preço final.